quinta-feira, 16 de maio de 2019

Por que tanta gente nao enxerga os sintomas depressivos no adolescente?


Por que tanta gente nao enxerga os sintomas depressivos no adolescente?

Ouvindo relatos de muitos adolescentes depressivos, percebo que muitos dos sintomas depressivos sao vistos como "normais da adolescencia". Isso é sério! é como se o sofrimento do adolescente nao fosse considerado e principalmente por aqueles que estão mais próximos do adolescente, que poderiam observar de fato este adolescente! e como o adolescente sofre! com tantos recursos tecnológicos existentes hoje em seu mundo, eles dão um show de habilidade, mas no que se refere á relacionamentos, estão órfaos, abandonados, clamando uma direção… 
A maioria dos adolescentes vive isolado em seu mundo (normalmente seu quarto), se relacionando com o mundo principalmente através das redes sociais. Isso colabora para que ele perca a capacidade de desenvolver afeto, de ler por exemplo expressões faciais e identificar sentimentos do outro, pois nas redes sociais os afetos”sao manipulados através dos “emojis” e raramente o “emoji” publicado, corresponde ao que o adolescente esta sentindo, porque a grande meta nas redes sociais, é mostrar felicidade e nao tristeza ou sentimentos afins… 
Na grande maioria dos suicidios em adolescentes, quando se interroga a familia sobre possíveis sintomas que por ventura poderiam delatar algum sintoma depressivo, a familia relata nao ter observado nada. Sempre me pergunto onde estavam escondidos esses sintomas…penso que muitos escondidos atras das redes sociais…

O que acham? Quero ouvir voces adolescentes!

terça-feira, 14 de maio de 2019

Precisamos de pessoas!



                        
                 Já pensou como seria bom se o mundo fosse dividido em apenas duas categorias? Tipo "certo" ou "errado"? Preto ou branco? Sim ou não? Mas a vida não é tão simples... existem os tons "cinza", os "furtacor"... os casos de mais ou menos.... Os dias não são apenas de sol ou chuva, há dias nublados na metereologia e na vida...
                 Da mesma forma, não existe somente o triste ou alegre. Causa-me revolta quando ouço alguém questionar que tal pessoa não está deprimida, porque foi vista com maquiagem, ou postou uma foto sorrindo. Só cada um sabe o peso da máscara social que é obrigado a carregar... além disso, a pessoa depressiva não está necessariamente em crise 24 horas por dia, assim como toda dor crônica, a depressão também vem ondas, que em alguns momentos é insuportável de carregar, em outros permite que usemos uma máscara de verniz social. 
                   Com efeito, mesmo entre as pessoas que tentaram e até entre as que obtiveram êxito no suicídio, haverá documentação de fotos e vídeos de sorrisos, de momentos em que a pessoa parece tudo, menos depressiva. Tanto que muitas vezes os amigos e familiares se surpreendem e dizem que nunca imaginaram que a pessoa fosse capaz de tal ato. 
                    E é aí que entra a grande questão: será que não estamos vendo ou não queremos ver os sinais de alerta? Na verdade, faz tempo que as pessoas não se olham mais nos olhos, não conversam pessoalmente, nem ao menos se telefonam. Hoje as pessoas mandam mensagens de áudio porque não tem paciencia de digitar um texto e talvez até porque assim podem ser ouvidas sem serem interrompidas.  Fala sério, como não se deprimir num mundo em que as pessoas se recusam a interagir com as outras? 
                    Como médica, observo como as pessoas estão carentes disto: de humanidade. De olhar nos olhos, de um toque, de um abraço. Então, por favor, ajude a mudar o mundo! Olhe nos olhos! Telefone, visite, escreva um bilhetinho a mão! Mostre que o mundo ainda tem remédio, que vale a pena continuar aqui! Você pode nem perceber, mas um pequeno gesto pode salvar uma vida!

segunda-feira, 13 de maio de 2019

Mentiras Cotidianas

              
              É mentira. Disseram que quem pensa em se matar é porque “é fraco”.  Você já tentou imaginar a coragem necessária para pôr fim ao que se conhece apostando no absolutamente desconhecido território da morte? É mentira, sim.
            Uma mentira disfarçada de autoconfiança, travestida de pseudo-superioridade. Diagnóstico mais claro, impossível: o mundo sofre de falta de empatia. Somos todos doutores especialistas em tudo: sabemos tudo de futebol, de política, de religião. Ninguém mais se lembra daquela máxima que dizia que “futebol, política e religião não se discute”. Discute-se tudo. E, pós graduados em facebook e whatts app, julgamos e sentenciamos tudo. E pior: executamos.
       E depois, com ares de condescendência, observamos as pessoas que saltam de prédios, de pontes, sem ao menos nos questionarmos sobre nosso papel neste teatro de horrores. Quantas vezes servimos de trampolim ao invés de paraquedas? Quando foi a última vez que paramos para ouvir o outro sem julgamentos?
             Por um mundo que tenha mais seres humanos e menos doutores de internet.
            Por mais mãos estendidas e menos dedos apontados.          
            Depressão não é frescura nem fraqueza.
        

“empatia (s.f.)

não é sentir pelo outro, mas sentir com o outro. quando a gente lê o roteiro de outra vida. é ser ator em outro palco. é compreender. é não dizer "eu sei como você se sente". é quando a gente não diminui a dor do outro. é descer até ao fundo do poço e fazer companhia pra quem precisa. não é ser herói, é ser amigo. 
é saber abraçar a alma."

Só por hoje!

            Muitas vezes me pego questionando a necessidade que temos de postergar a vida. Começar a dieta na segunda feira, começar o ano depois do carnaval, entrar na academia no ano que vem, e por aí vai. Vivemos construindo castelos no ar através de planos para iniciar depois. Sempre depois. Depois da prova, depois do casamento, depois que os filhos crescerem, depois que aposentarmos... 
           Pode-se quase dizer que deixamos a vida em suspenso.  Com efeito, nós mesmos nos auto-castramos. Não nos consideramos merecedores do privilégio de viver hoje! Sabe aquele curso de teatro que sempre foi o sonho da sua vida fazer? Por que não hoje? Por que ter que esperar que as crianças cresçam para fazer aquela viagem de férias? Viajar com as crianças pequenas também te dará vivencias incríveis, e lembranças que ficarão na memória delas. 
           Não. Vivemos julgando os outros e nós mesmos, e condenando a cada dia. Meu vizinho está pintando a casa dele e mudando a fachada. Então agora vou ter que investir o dinheiro que estava guardando para aquele curso na pintura da minha casa também para não ficar feia. Ou, pior, como não tenho condições de pintar, vou ficar dentro de casa o máximo possível para que não me vejam e não precise falar sobre a minha.  
           Minha casa tem umas marcas com história: aquele pé de jabuticaba que ninguém pode pegar porque as frutas são das currequinhas. Um móbile de peixes de cerâmica (alguns já beliscados) que comprei num fim de semana em São Francisco do Sul, quando minha filha ainda era pequena. Um armário com os pés com marcas de quando a Prada (uma de nossas cachorrinhas) era pequena e roía os móveis para coçar os dentes. Uns quadrinhos artesanais da pré-escola da minha filha. Acho lindo casas decoradas por arquitetos, com tudo planejado e combinando. Mas acho muito mais vivo ter uma casa com história. Uma casa viva.
           Gosto de pensar que minha casa tem vida, que é feita de pequenas histórias que vou amealhando no decorrer dos dias. Cada tijolinho representa um instante em que vivi efetivamente. E, por sua vez,  cada instante de vida vivida tem o peso de anos, e serve de fundamento para as histórias que ainda virão, construidas com afeto e dedicação. Assim me tornei uma legitima acumuladora: aprendi a  colecionar momentos.
          Falando em casa, em vidas suspensas, hoje faz um mês que participo do Abraço a Vida. Posso dizer que cada dia aprendo mais um motivo para viver e para viver hoje. O passado já se foi, o futuro não chegou, eu só tenho de fato o HOJE. E todos os dias, quando acordo, repito o meu mantra: só por hoje eu vou viver.  E, a cada dia, minha coleção de momentos vai ficando mais colorida, porque também aprendi que as histórias que ajudo a escrever também me constroem.